quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Verbos no passado

 O autor do memórias literárias usa os verbos para marcar um tempo do passado. Vamos tratar dos tempos verbais essenciais no gênero memória: pretérito perfeito e pretérito imperfeito.

sobre memoria

  O gênero literario conhecido como memória compreende, além dos dados pessoais e biográficos, valiosos depoimentos históricos em que se registram fatos políticos e sociais, costumes e tendência artística.
 Dá-se o nome de memória ao gênero literário em que o autor, quase sempre em prosa, relata o que recorda, tanto de sua vida como dos acontecimentos marcantes do contexto em que ela trancorreu. As memórias têm como centro de interesse o próprio memorialista e são, por isso, trabalho fronteiriço com a autobiografia, o diário e as confissões.

As cocadas

Eu devia ter nesse tempo dez anos. Era menina prestimosa e trabalhadeira à moda do tempo. Tinha ajudado a fazer aquela cocada. Tinha areado o tacho de cobre e ralado o coco. Acompanhei rente à fornalha todo o serviço, desde a escumação da calda até a apuração do ponto. Vi quando foi batida e estendida na tábua, vi quando foi cortada em losangos. Saiu uma cocada morena, de ponto brando atravessada de paus de canela cheirosa. O coco era gordo, carnudo e leitoso, o doce ficou excelente. Minha prima me deu duas cocadas e guardou tudo mais numa terrina grande, funda e de tampa pesada. Botou no alto da prateleira. Duas cocadas só... Eu esperava quatro e comeria de uma assentada oito, dez, mesmo. Dias seguidos namorei aquela terrina, inacessível. De noite, sonhava com as cocadas. De dia as cocadas dançavam pequenas piruetas na minha frente. Sempre eu estava por ali perto, ajudando nas quitandas, esperando, aguando e de olho na terrina. Batia os ovos, segurava gamela, untava as formas, arrumava nas assadeiras, entregava na boca do forno e socava cascas no pesado
almofariz de bronze. Estávamos nessa lida e minha prima precisou de uma vasilha para bater um pão-de-ló. Tudo ocupado. Entrou na copa e desceu a terrina, botou em cima da mesa, deslembrada do seu conteúdo. Levantou a tampa e só fez: Hiiii... Apanhou um papel pardo sujo, estendeu no chão, no canto da varanda e despejou de uma vez a terrina. As cocadas moreninhas, de ponto brando, atravessadas aqui e ali de paus de canela e feitas de coco leitoso e carnudo guardadas ainda mornas e esquecidas, tinham se recoberto de uma penugem cinzenta, macia e aveludada de bolor.
Aí minha prima chamou o cachorro: Trovador... Trovador... e veio o Trovador, um perdigueiro de meu tio, lerdo, preguiçoso, nutrido, abanando a cauda. Farejou os doces sem interesse e passou a lamber, assim de lado, com o maior pouco caso.
Eu olhando com uma vontade louca de avançar nas cocadas. Até hoje, quando me lembro disso, sinto dentro de mim uma revolta – má e dolorida - de não ter enfrentado decidida, resoluta, malcriada e cínica, aqueles adultos negligentes e partilhado das cocadas bolorentas com o cachorro.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

as cocadas

           No conto as cocadas cora coralina põe-nos diante de um fato ocorrido numa época passada.O relato leva-nos,inevitavelmente,a comparar costumes do passado com os atuais.Esse é um dos caminhos do conheçimento e da reflexão sobre o tempo presente.Saber com as pessoas se relacionavam ou o que era exigido delas na vida familiar e social pode nos levar a compreender melhor o nosso tempo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Verbo haver e existir

    O verbo haver e existir podem ser usados como sinônomo. Na linguagem formal, porem possuem empregos diferentes.
    As orações com o verbo existir sempre se cpnstroem com sujeito:
                       existe  uma  proposta para a educação?
              verbo singular    sujeito singular
               
                     existem verbas para a educaçâo?
          verbo plural   sujeito plural


    O verbo haver com sentido de existir não apresenta sujeito mantensdo-se sempre na 3ª pessoa do singular.
                      Há uma proposta para a educação?
     3ª pessoa do singular 
                      Há verbos para a educação?
    3ª pessoa do singular
    Na linguagem coloquial é corrente o uso do verbo ter com sentido de haver. Por exemplo: 
  Tem muito gente nesta sala.( No lugar de '' Há muita gente nesta sala''.)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A vida não é a que a gente viveu,e sim a que a gente recorda,e como recorda para contá-la”Gabriel Garcia Márquez –Viver para contar
Para vocês , o que caracteriza um texto de memórias literárias?

Nas memórias literárias , o que é contado não é realidade exata. A realidade dá base ao que está sendo escrito, mas o texto também traz boa dose de inventividade.
Algumas marcas comuns:
-Expressões em primeira pessoa usadas pelo narrador, como “eu me lembro”, “vivi numa época em que”.
-Verbos que remetem ao passado, como “lembrar”, “reviver”.
-Palavras utilizadas na época evocada, como “vitrola”, “flertar”.
-Expressões que ajudam a localizar o leitor na época narrada, como “naquele tempo”.